LUÍS DA CÂMARA CASCUDO

Cronologia - 1930 à 1949 - Luís da Câmara Cascudo


Cronologia - 1930 à 1949

1930 - Em 27 de julho é eleito Deputado Estadual pelo Partido Republicano Federal, graças ao prestígio do seu pai e ao apoio do Governador Juvenal Lamartine. A 1o de outubro os eleitos são empossados. No dia 3 de outubro, explode a Revolução de 30, em 6 do mesmo mês a Assembléia Legislativa é dissolvida e todos os eleitos são depostos. O seu mandato de Deputado Estadual durou apenas 5 dias.

1931 - É nomeado pelo Interventor Federal, Aluízio de Andrade Moura, como Diretor da Imprensa Oficial, cargo perdido em 31 de julho, devido à destituição do Interventor pelo Presidente Getúlio Vargas. Nasce, a 09 de maio, o seu primogênito, Fernando Luís da Câmara Cascudo, que tem um padrinho ilustre: Mário de Andrade.

1932 - Ocorre o fim do “Principado do Tirol”, com a decretação da falência de seu pai, Coronel Francisco Cascudo. A propriedade é hipotecada para saldar dívidas contraídas por Coronel Cascudo e que não puderam ser pagas. A família passa a morar em uma casa bem menor, na Av. Junqueira Aires, 393 (vizinho à atual Casa Câmara Cascudo).

1933 - Defende tese do concurso público para o corpo docente do colégio Ateneu, com o tema “Intencionalidade do Descobrimento do Brasil”. A tese é defendida com brilhantismo, garantindo a sua efetivação como professor deste estabelecimento de ensino.
Com a criação do Instituto de Música do Estado, a 31 de janeiro de 1933, pelo Interventor Federal do Rio Grande do Norte, Bertino Dutra, Cascudo é nomeado professor de História da Música da instituição, juntamente com Waldemar de Almeida, professor de piano e diretor (“A República”, 11/03/1933, informação gentilmente cedida pelo Historiador e Pesquisador Cláudio Galvão).
De 1933 a 1937 ele torna-se líder do movimento integralista no estado, em cujo movimento tinha ingressado a convite do historiador e folclorista cearense Gustavo Barroso.
Publica as obras “O Conde d’Eu” e “O Homem Americano e seus temas”.

1934 - É nomeado catedrático de História da Civilização do colégio Ateneu, em 26 de abril.
Em maio acompanha o Interventor Mário Câmara numa excursão ao interior do estado do Rio Grande do Norte. Sobre esta viagem, ele escreve várias reportagens que são transformadas em um livro intitulado “Viajando o Sertão”, publicado pela Imprensa Oficial neste mesmo ano.
Publica o opúsculo intitulado “O mais antigo marco colonial do Brasil”.

1935 - Em junho é eleito sócio-correspondente da Academia Nacional de História e Geografia do México. A eleição representa o primeiro reconhecimento estrangeiro à sua produção intelectual.

1936 - Funda, com outros intelectuais natalenses, a Academia Norte Riograndense de Letras, ocupando o cargo de Secretário Geral na primeira Diretoria.
Publica a obra “Em Memória de Stradelli” e o opúsculo “O Brasão Holandês do Rio Grande do Norte”.
Nasce, a 13 de outubro, sua filha: Anna Maria Freire Cascudo.

1937 - O Presidente Getúlio Vargas dá um golpe de estado, implantando o Estado Novo, proibindo a atividade da Ação Integralista Brasileira e da Aliança Nacional Libertadora. Nesta oportunidade, decepcionado com o ideário integralista, ele se desliga do movimento. A partir de então, toma aversão a qualquer participação político-partidária.

1938 - É nomeado pelo Governador Rafael Fernandes, Secretário do Tribunal de Apelação. Neste ano ele ainda ocupa o cargo de Professor de História da Música no Instituto de Música do Estado.
Em setembro é convidado para pronunciar o discurso de inauguração do edifício do Liceu Literário Português, no Rio de Janeiro. A imprensa carioca elogia imensamente o seu discurso.
Publica as obras “O Doutor Barata, político, democrata e jornalista” e “O Marquês de Olinda e seu tempo”.

1939 - É eleito sócio-correspondente da Confraternité Universelle Balzacienne, de Montevidéu, e filia-se ao Instituto de Coimbra. Neste mesmo ano, ele já tinha sido eleito sócio-correspondente do Instituto Português d’Arqueologia, História e Etnografia.
A partir de 25 de maio, começa a publicar quase diariamente a sua famosa coluna, “Acta Diurna”, no jornal “A República”. Esta coluna será o ponto de partida de vários dos seus futuros livros.
Publica as obras “Governo do Rio Grande do Norte” e “Vaqueiros e Cantadores”.

1940 - É agraciado com a comenda Cruz de Cavaleiro da Coroa da Itália, concedida por Sua Majestade Victor Emanuel, rei da Itália, em cerimônia realizada no dia 05 de abril na residência do Vice-Cônsul da Itália em Natal, Sr. Guilherme Letiere. Esta comenda foi concedida em decorrência da publicação do seu livro “Em Memória de Stradelli” (1936), sobre o cientista italiano que viveu no Amazonas de 1883 a 1926 e realizou uma importante pesquisa sobre a botânica brasileira.
Durante a participação do Brasil na II Guerra Mundial, é Diretor do Serviço de Defesa Pacífica no estado.
Publica a obra “Informação de História e Etnografia”.

1941 - Funda, a 30 de abril, a Sociedade Brasileira de Folclore, primeira instituição no gênero do país, com sede na sua residência. O grande objetivo da instituição foi a realização de atividades em defesa do folclore de Natal e do Nordeste. Estabeleceu um importante intercâmbio internacional com diversos pesquisadores tais como Stith Thompson e Archer Taylor (Estados Unidos), Duilearga (Irlanda), von Sydow (Suécia), Schmidt (Suíça), Castillo de Lucas (Espanha), entre outros que eram correspondentes constantes da sociedade.

1942 - Publica o opúsculo “Sociedade Brasileira de Folclore”.
Publica a tradução de “Viagens ao Nordeste do Brasil”, de autoria de Henry Koster, viajante que percorreu o nordeste brasileiro em 1810.

1944 - É eleito, em setembro, membro da The American Academy of Political and Social, instituição fundada em 1868 na Filadélfia, Estados Unidos. Em novembro, é eleito sócio-correspondente da Folk-Lore Society, de Londres, a mais antiga sociedade de folclore do mundo.
Publica a obra “Antologia do Folclore Brasileiro”.
Organiza a antologia “Os melhores Contos Populares de Portugal”, editada neste ano.

1945 - Ingressa no fechado grupo da Sociedade de Folclore da Irlanda, da qual só participavam, até então, quatro folcloristas de fama mundial: Archer Taylor e Stith Thompson (americanos), Reider Christiansen (norueguês) e Wilhelm von Sydow (sueco). Com mais esta distinção internacional, ele alcança um nível invejável de reconhecimento e respeito intelectual.
Publica a obra “Lendas Brasileiras”.

1946 - Em 3 de julho, é designado pelo Interventor Federal do Estado do Rio Grande do Norte, Ubaldo Bezerra, como encarregado do estudo e do planejamento dos Serviços de Biblioteca e Arquivo Público a serem criados no Estado. Desliga-se, nesta oportunidade, do cargo de Secretário do Tribunal de Apelação, para assumir esta nova função.
Na primeira quinzena de outubro, integra a Missão Cultural Brasileira que visita Montevidéu, capital do Uruguai, a convite do Ministro de Relações Exteriores, Embaixador João Neves da Fontoura. No auditório da Faculdade de Direito e Ciências da Universidade Nacional do Uruguai, pronuncia duas conferências sobre Etnografia, nos dias 10 e 12 de outubro, sendo aplaudido de pé ao término de cada uma delas. Um acontecimento interessante dessas conferências é o fato de Cascudo, ao chegar ao Uruguai ter suas malas extraviadas, transportadas para Buenos Aires por engano. Nestas malas estavam os textos das conferências, que terminaram sendo feitas de improviso, demonstrando todo o conhecimento e verve cascudianas.
Publica a obra “Contos Tradicionais do Brasil”.

1947 - A 24 de abril, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, sob a presidência de Nestor dos Santos Lima, é homenageado pelos amigos e admiradores. Nesta época, com ampla projeção nacional e internacional, Cascudo fazia parte de 26 instituições culturais brasileiras e 15 internacionais.
Hospeda, na sua residência, o folclorista americano Stith Thompson, professor da Universidade de Indiana, de 6 a 9 de novembro. Cascudo dedica-lhe uma “Acta Diurna”, salientando a importância de Thompson no estudo do folclore mundial.
Publica, por encomenda do Prefeito da cidade do Natal, Sylvio Pedroza, o livro “História da Cidade do Natal”. Publica também a obra “Geografia dos Mitos Brasileiros”.

1948 - Representa o Rio Grande do Norte na comemoração do Tricentenário da 1a Batalha dos Guararapes, iniciativa do Governador de Pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho. Nesta ocasião profere, no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, a conferência intitulada “Uma Interpretação Sociológica da Batalha dos Guararapes”.
Funda, em 1o de maio, a “Universidade Popular”, iniciativa pioneira cujo maior objetivo era despertar nos natalenses a consciência do seu valor e fomentar a idéia de Universidade, que só seria concretizada no estado no final da década de 50. A “Universidade Popular” funcionou no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e constou de um total de 18 (dezoito) aulas, sob os mais variados assuntos, indo da “História da Literatura do Rio Grande do Norte” (ministrada por Cascudo) até “A Batalha Anti-Malária” (ministrada por Dr. Antônio Siqueira).
Recebe, em 25 de dezembro, das mãos do Prefeito Sylvio Pedroza o título de Historiador da Cidade do Natal, impresso em pergaminho e acompanhado de uma miniatura da chave da cidade, em ouro.

1949 - A 27 de setembro viaja à Fortaleza, Ceará, para pronunciar uma palestra sob a vida e a obra de Juvenal Galeno, o maior poeta popular cearense. Recebe profusos elogios da imprensa local.
Publica a obra “Os Holandeses no Rio Grande do Norte” e o opúsculo “Consultando São João: Pesquisa sobre a Origem de Algumas Adivinhações”.

Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org
Luís da Câmara Cascudo - OpenBrasil.org