LUÍS DA CÂMARA CASCUDO

Cronologia - 1899 à 1929 - Luís da Câmara Cascudo

Câmara Cascudo quando criança em sua casa.

Cronologia - 1899 à 1929

1898 - Nasce em Natal/RN, a 30 de dezembro, filho de Francisco Justino de Oliveira Cascudo, o Coronel Cascudo, e Ana Maria da Câmara Pimenta. O casal teve quatro filhos, dos quais três deles faleceram ainda crianças, vitimados pela crupe (difteria). Só o terceiro filho, Luís, sobreviveu.

1899 - É batizado no dia 09 de maio, pelo Padre João Maria Cavalcanti de Brito, na Igreja do Bom Jesus das Dores. Teve como padrinhos o Governador Joaquim Ferreira Chaves e sua esposa Alexandrina Barreto Ferreira Chaves. O sobrenome incomum é uma curiosidade. O seu avô paterno, Antônio Justino de Oliveira (1829-1894) era um monarquista ferrenho, adepto do partido conservador, conhecido no Rio Grande do Norte como “cascudo”. A dedicação do velho Antônio Justino ao partido valeu-lhe o apelido de “o velho cascudo”. Dois filhos de Antônio, Francisco (pai de Luís) e Manuel, adotaram a alcunha como sobrenome, nascendo desta forma, oficialmente, a família “Cascudo”.

1904 - Aprende a ler sozinho através da Tico-Tico, revista infantil muito popular na época. Sua primeira professora foi Totônia Cerqueira. Sua curiosidade intelectual precoce o impelia a ler tudo que via pela frente, revistas, álbuns de gravuras e curiosidades.

1910 - Seu pai matricula-o no Colégio Diocesano Santo Antônio, atual Colégio Marista.

1912 - Seu pai contrata o Professor Francisco Ivo Cavalcanti para dar aulas particulares ao filho. Cascudo ainda teria outros professores particulares, que contribuíram para diversidade de sua formação intelectual.

1914 - Muda-se para uma mansão no bairro do Tirol, a “Vila Amélia”, adquirida pelo pai no final de 1913. A mansão do arquiteto Herculano Ramos passa a ser chamada de “Principado do Tirol” e “Vila Cascudo” e ocupa quase um quarteirão inteiro. A propriedade possuía o luxo e o requinte incomuns para a época e torna-se um local de realização de eventos culturais da cidade. Nesta época, seu pai, Francisco Cascudo, era Coronel da Guarda Nacional e um próspero comerciante, sendo inclusive representante dos carros Ford no estado do Rio Grande do Norte.

1917 - Conclui, aos 19 anos, o curso preparatório no colégio Atheneu Norte Riograndense.

1918 - Ingressa no curso de Medicina em Salvador, obedecendo a uma tradição da época, onde as melhores famílias tinham um filho advogado ou médico.
Publica o primeiro artigo no jornal “A Imprensa” de propriedade de seu pai, a 18 de outubro. O título do artigo é “Bric-à-Brac”, expressão francesa que significa amontoado de coisas antigas à venda. Este será apenas o primeiro de uma série de artigos que escreve no decorrer de sua vida, publicando no total mais de 2.500 artigos de jornal e outros 230 para revistas.

1919 - Transfere-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

1920 - Abandona o curso de Medicina, para o qual não se achava vocacionado.

1921 - Publica o seu primeiro livro, “Alma Patrícia”, crítica literária sobre poetas natalenses desconhecidos do resto do Brasil. Por ocasião da publicação, tinha apenas 23 anos de idade. O livro é muito bem recebido pela crítica.
Publica na Revista do Brasil, editada por Monteiro Lobato, o artigo “O Aboiador”, que pode ser considerado um dos seus primeiros textos ligados à cultura popular, denunciando a sua pesquisa e predileção sobre o assunto.

1924 - Ingressa no curso de Direito na Faculdade do Recife.
Publica os livros “Histórias que o tempo leva”, através da editora de Monteiro Lobato, com prefácio de Rocha Pombo, e “Joio”, editado pela gráfica do jornal “A Imprensa”.
Inicia, por meio de correspondência, a amizade com o intelectual paulista Mário de Andrade. A amizade e a correspondência seriam mantidas até 1944, pouco antes do falecimento de Mário (1945).

1927 - Publica os livros “López do Paraguay”, através da tipografia do jornal “A República”, e “Versos Reunidos”, antologia poética de Lourival Açucena, com notas de sua autoria.

1928 - Forma-se em Direito pela Faculdade do Recife.
É nomeado pelo Governador do Estado, Juvenal Lamartine, professor interino da cadeira de História do Brasil do tradicional colégio Ateneu Norte Riograndense.
Em dezembro, hospeda na Vila Cascudo o escritor Mário de Andrade que viaja ao Rio Grande do Norte atendendo ao seu convite.

1929 - Viaja com Mário de Andrade, percorrendo 1.104 quilômetros do interior do estado, colhendo material de pesquisa sobre cultura popular. Mário fica deslumbrado com o coquista Chico Antônio, morador de Goianinha, interior do estado.
É nomeado pelo Governador do Estado, Juvenal Lamartine, diretor interino do colégio Ateneu.

A 29 de abril casa-se com Dáhlia, filha do Desembargador Teotônio Freire e Maria Leopoldina Viana Freire. Dáhlia, 11 anos mais nova do que Cascudo, era chamada por ele “uma flor sem espinhos” e foi o grande esteio emocional que possibilitou a criação de sua monumental obra.

Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org
Luís da Câmara Cascudo - OpenBrasil.org