LUÍS DA CÂMARA CASCUDO

Cronologia - 1950 à 1969 - Luís da Câmara Cascudo


Cronologia - 1950 à 1969

1950 - É nomeado, pelo Governador José Augusto Varella, Diretor do Museu do Arquivo.
Em dezembro torna-se sócio-honorário da Associación Folklórica de Chile, bem como da Sociedad Folklórica de Bolívia.
Publica o opúsculo “O Folclore nos Autos Camonianos”.

1951 - Viaja, em duas oportunidades, ao Rio de Janeiro: em agosto para participar do I Congresso Brasileiro de Folclore, onde é relator geral, e em novembro para ser o orador oficial do Dia do Marinheiro, a convite do Ministro da Marinha, Almirante Renato de Almeida Guilhobel.
Com a criação da Faculdade de Direito, assume a cadeira de Direito Internacional Público. Leciona esta disciplina até se aposentar em 1966.
Publica as obras “Anúbis e outros ensaios” e “Meleagro - notas para pesquisa do catimbó”.

1952 - Por iniciativa do amigo Aníbal Fernandes, diretor do jornal “Diário de Pernambuco”, e com o apoio de Nilo Pereira, Mário Melo e Veríssimo de Melo, é lançada a idéia da sua candidatura ao Senado Federal. Cascudo recusa, com seu característico bom humor, a iniciativa, dizendo que “sou candidato ao Senado pelo partido do cordão azul”.
Em agosto, viaja a Teresina, a convite do Governador do Piauí, para realizar uma conferência relativa às comemorações do centenário da cidade.
Em setembro, é agraciado com o prêmio Honra ao Mérito da Standard Oil Company, concedido às pessoas que se destacaram nas Letras, Artes e Ciências.
Publica a obra “Literatura Oral” e os opúsculos “Com D. Quixote no Folclore Brasileiro” e “O Poldrinho Sertanejo e os filhos do Vizir do Egito”.
Traduz e anota a obra “Os Mitos Amazônicos da Tartaruga” de Charles Frederick Hartt.

1953 - Publica a obra “Cinco Livros do Povo- Introdução ao Estudo da Novelística no Brasil” e o opúsculo “Em Sergipe Del Rey”.

1954 - Pronuncia, em janeiro, conferência nas festividades comemorativas do Tricentenário da Restauração Pernambucana, a convite da comissão oficial. No mês seguinte, faz conferência sobre os Transportes Ferroviários Brasileiros por ocasião do transcurso do Cinqüentenário da Comissão “Sampaio Correia”.
Publica a monumental obra “Dicionário do Folclore Brasileiro”, resultado de mais de dez anos de pesquisa solitária. A obra, primeira compilação científica de termos folclóricos, ainda hoje é uma referência no estudo da cultura popular. Publica ainda “História de um Homem (João Severiano da Câmara)” e a “Antologia de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão”. Faz as anotações das obras de Sílvio Romero, “Cantos Populares do Brasil” e “Contos Populares do Brasil“.

1955 - Em 31 de dezembro, a rua em que nasceu, Senador José Bonifácio, conhecida como Rua das Virgens, na Ribeira, recebe o nome de “Câmara Cascudo”, por determinação do Governador Sylvio Pedroza.
Publica a obra “História do Rio Grande do Norte”, sob os auspícios do Governador Sylvio Pedroza. Neste ano ainda são lançados os livros “Notas e Documentos para a História de Mossoró” e “Notícias Históricas do Município de Santana do Matos”. Os opúsculos “Notas para a História da Paróquia de Nova Cruz” e “Paróquias do Rio Grande do Norte” e a antologia “Trinta Estórias Brasileiras” também são editados neste ano.

1956 - No dia 1o de janeiro, recebe a homenagem dos amigos através da colocação de uma placa de bronze na casa onde ele nasceu, na então Rua Câmara Cascudo, na Ribeira.
Publica as obras “Geografia do Brasil Holandês”, “Tradições Populares da Pecuária Nordestina” e “Vida de Pedro Velho”.

1957 - Com o falecimento do romancista José Lins do Rego, em setembro, seus amigos lançam, em Natal, sua candidatura para ocupar a cadeira deixada pelo acadêmico na Academia Brasileira de Letras. Cascudo não age no sentido de concretizar esta candidatura.
Publica as obras “Jangada” e “Jangadeiros”.

1958 - Publica a obra “Superstições e Costumes”. Faz a compilação da obra “Poesia” de Domingos Caldas Barbosa.

1959 - É escolhido orador oficial do discurso de instalação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, ocorrida na noite de 21 de março. Nesta ocasião, salienta a função maior da universidade: “A Universidade deve valorizar, estudar, defender a Civilização do Brasil. Primeiro porque é bela, sugestiva, original, humana. Segundo porque é nossa”.
No dia 1o de junho, o Governador Dinarte Mariz assina um decreto nomeando Cascudo para o cargo de 3o Consultor Geral do Estado, como forma de manifestar todo o reconhecimento do estado do Rio Grande do Norte ao seu maior intelectual.
Ainda em junho, no dia 11, é agraciado com a medalha Mérito Tamandaré, com diploma assinado pelo Ministro da Marinha, Almirante Jorge Passos Matoso Maia.
Publica as obras “Canto de Muro”, um romance de costumes, e “Rede de Dormir”. O opúsculo “Universidade e Civilização”, com o discurso de instalação da UFRN, é publicado neste ano. Faz a compilação da obra “Poesia” de Antônio Nobre.

1960 - Em fevereiro, o Deputado Federal pelo Rio Grande do Norte, Djalma Maranhão, desencadeia um movimento junto a jornalistas e escritores do Rio de Janeiro com o objetivo de conduzir Cascudo à Academia Brasileira de Letras, na vaga deixada pelo historiador e folclorista Gustavo Barroso, falecido a 03 de dezembro de 1959. Mais uma vez, ele não atua na direção da concretização desta idéia e proclama-se “sempre noivo da Academia, sem ameaças ilusivas de consórcio”.
Publica o opúsculo “A Família do Padre Miguelinho”.

1961 - Participa do encerramento do I Festival do Escritor Norte Riograndense, promovido pelo governo do estado, através da conferência “Participação Feminina na Vida Literária do Rio Grande do Norte”, em 16 de dezembro.
Publica as obras “Ateneu Norte Riograndense” e “Vida Breve de Auta de Souza”. Participa, junto com Vieira de Almeida, edição de Lisboa, do livro “Grande Fabulário de Portugal e do Brasil”. Publica os opúsculos “Etnografia e Direito” e “Breve História do Palácio da Esperança”.

1962 - Publica o opúsculo “Roland no Brasil”.

1963 - De março a maio realiza a sua maior viagem etnográfica: África. A viagem ao continente africano, patrocinada pelo amigo Assis Chateaubriand, Presidente dos Diários Associados, tem por objetivo pesquisar a “alimentação negra nas áreas da antiga exportação de escravos para o Brasil”. Cascudo percorre cerca de 20 mil quilômetros do continente africano, pesquisando preferencialmente os povos bantos. Seu objetivo é recolher material para a sua monumental obra sobre a alimentação brasileira, “História da Alimentação no Brasil”.
É criada a Medalha Cultural Câmara Cascudo pelo Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, do qual ele foi o fundador e o primeiro diretor.
Publica a obra “Dante Alighieri e a Tradição Popular no Brasil”.
Após a viagem à África, começa a apresentar leves sintomas de surdez, que, não sendo devidamente tratados, logo se agravam de forma irreversível.

1964 - A Câmara Municipal de Natal, por iniciativa do vereador Eugênio Neto, aprova o projeto de lei criando o Prêmio Literário Câmara Cascudo.
É realizada, por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico do RN, a Semana Câmara Cascudo, que ocorre de 24 a 30 de dezembro. Vários amigos e intelectuais do estado abordam diferentes aspectos da sua atividade intelectual.
Publica o opúsculo “A Cozinha Africana no Brasil”.

1965 - O Conselho Universitário da UFRN baixa a Resolução No. 8, de 19 de fevereiro, dando ao Instituto de Antropologia a denominação de Instituto de Antropologia Câmara Cascudo, singular homenagem ao etnógrafo potiguar.
Publica as obras “História da República do Rio Grande do Norte”, “O Nosso Amigo Castriciano” e “Made in África”.

1966 - Publica as obras “Flor de Romances Trágicos” e “Voz de Nessus”.

1967 - A Universidade Federal do Rio Grande do Norte confere a ele o título de Professor Emérito. A solenidade ocorre no dia 21 de março, sendo reitor o Professor Onofre Lopes. Com este título a Universidade presta a Cascudo uma grande homenagem ao reconhecer o seu caráter de “mestre de maior saber e talento“.
Publica as obras “Jerônimo Rosado”, “Mouros, Franceses e Judeus”, “Folclore no Brasil” e o 1o volume da “História da Alimentação no Brasil”.

1968 - Em comemoração ao transcurso do cinqüentenário das atividades intelectuais de Cascudo, a Fundação José Augusto (órgão de cultura do estado do RN) cria o Prêmio Luís da Câmara Cascudo, onde eram exigidos trabalhos sobre o homenageado com, no mínimo, 100 páginas. O trabalho premiado é “Viagem ao Universo de Câmara Cascudo”, do professor e escritor Américo de Oliveira Costa, publicado pela Fundação em 1969.
Publica o 2o volume da “História da Alimentação no Brasil” e as obras “Coisas que o povo diz”, “Prelúdio da Cachaça“, “Nomes da Terra” e “O Tempo e Eu”, obra autobiográfica, além do opúsculo “Calendário das Festas”.

1969 - Grava depoimento, em janeiro, para o Museu da Imagem e do Som, sob a direção de Ricardo Cravo Albim.
Publica a obra também autobiográfica “Pequeno Manual do Doente Aprendiz” e o opúsculo “A Vaquejada Nordestina e Sua Origem”.

Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org
Luís da Câmara Cascudo - OpenBrasil.org

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