LUÍS DA CÂMARA CASCUDO

Cronologia - 1970 à 1986 - Luís da Câmara Cascudo


Cronologia - 1970 à 1986

1970 - Ainda nas comemorações do cinqüentenário cascudiano, é editado pela Fundação José Augusto, os 2 volumes do livro “Luís da Câmara Cascudo - 50 anos de vida intelectual (1918/1968)”, de autoria de Zila Mamede. A obra representa o mais completo estudo bibliográfico sobre a imensa obra do homenageado.
A 02 de outubro, a Biblioteca Pública do Estado, por resolução do presidente da Fundação José Augusto, passa a se chamar Biblioteca Câmara Cascudo.

Por ocasião do 5o Encontro Brasileiro de Escritores, é agraciado com o Prêmio Nacional de Cultura, concedido pela Fundação Cultural do Distrito Federal. Não podendo comparecer a solenidade de entrega por problemas de saúde, é representado na ocasião pelo seu amigo José Júlio Guimarães Lima, Procurador Geral da República.
Publica as obras “Gente Viva” e “Locuções Tradicionais do Brasil”.

1971 - Publica as obras “Ensaios de Etnografia Brasileira”, “Na Ronda do Tempo (Diário de 1969)”, “Sociologia do Açúcar” e “Tradição, Ciência do Povo”.
Lança no dia 16 de julho, na sede da Delegacia Regional do Instituto do Açúcar e do Álcool, no bairro da Ribeira, em Natal, o livro “Sociologia do Açúcar”.

1972 - Publica as obras “Ontem”, outro livro autobiográfico, e “Uma História da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte”.

1973 - A 30 de junho o Presidente da República, General Emílio Garrastazu Médici, baixa um decreto concedendo-lhe a Medalha da Ordem Nacional do Mérito Educativo no Grau de Grande Oficial. Devido à outra viagem programada para São Paulo, Cascudo não pode ir a Brasília para receber pessoalmente aquela distinção.

Em agosto ele viaja a Brasília onde recebe, no dia 9, o Prêmio Henning Albert Boilesen, criado pela Associação Brasileira de Distribuidores de Gás, pelos relevantes serviços prestados à cultura brasileira.
Neste ano ocorre a publicação da obra “Civilização e Cultura”, tratado de Etnografia Geral com 741 páginas. O livro, concluído em 1962, passou 11 anos para ser publicado, tendo ficado 9 anos perdido. Inicialmente seus originais foram entregues à Imprensa Estadual de Pernambuco, sem cópias existentes em Natal. A administração da Imprensa é mudada e em 1964 os originais tinham desaparecido. Em 1970, eles reaparecem, sendo reenviados a Cascudo, amarrotados, sujos, riscados e com capítulos incompletos. Cascudo, decepcionado, guarda-os numa gaveta. Em 1971, o reitor da UFRN, Onofre Lopes insiste com Cascudo para a publicação na Imprensa Universitária e ele resiste. Finalmente, o Ministro da Educação e Cultura, Jarbas Passarinho, presente ao cerimonial de transmissão da reitoria da UFRN, em Natal, expressa interesse na publicação do livro, que finalmente é lançada.
Também é publicado o livro “Movimento de Independência no Rio Grande do Norte”.

1974 - Carlos Lyra, fotógrafo e escritor natalense, faz um documentário fotográfico com Cascudo, intitulado “Uma Câmara vê Cascudo”.
Publica a obra “Prelúdio e Fuga do Real”, uma das mais intrigantes de Cascudo, e “Religião no Povo”, além do opúsculo “Meu Amigo Thaville: Evocações e Panorama”, sobre o seu grande amigo Thadeu Villar de Lemos.

1975 - Em agosto é homenageado no III Festival do Folclore Brasileiro, realizado pela Fundação José Augusto, em Natal.

1976 - Como resultado de um convênio firmado entre a Fundação José Augusto e a Embrafilme, chega a Natal, em agosto, o cineasta carioca Walter Lima Júnior, com o intuito de filmar um documentário sobre a vida e a obra de Cascudo. O filme fica pronto e é intitulado “Conversa com Cascudo”.
No dia 24 de novembro, recebe a Medalha da Ordem Nacional das Artes e das Letras da França, em sessão solene no auditório da Reitoria da UFRN. A medalha é entregue pelo Embaixador da França no Brasil, Michel Legendre.
Publica a obra “História dos Nossos Gestos” e o opúsculo “Mitos Brasileiros”.

1977 - Depõe para a Biblioteca do Congresso Americano, no final de abril. O assessor de imprensa do Consulado Norte Americano, em Recife, Waldir Alves Freire, vem a Natal para colher o depoimento de Cascudo, que, apesar da surdez avançada, fala aos repórteres cerca de uma hora sobre a sua vida de escritor, suas pesquisas, estudos e viagens.
Neste ano ele recebe o prêmio do qual mais se orgulhava: Juca Pato, Intelectual do Ano. O prêmio, promovido pela União Brasileira de Escritores, é entregue a Cascudo em Natal, no salão nobre da Academia Norte Riograndense de Letras, na noite de 26 de maio. Nesta mesma solenidade, o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Domingos Gomes de Lima, confere a Cascudo o título de Doutor Honoris Causa, grau máximo concedido por uma Universidade. As homenagens deste ano ainda não tinham cessado. Em novembro, vem a Natal o Secretário Geral da Academia Brasileira de História, Marco Antônio Rangel Pestana de Campos Sales, para fazer a entrega solene do colar e do respectivo diploma de acadêmico ao escritor. Além disso, o homenageado também recebeu a láurea cultural Afonso D’Escragnole Taunay, como membro do Conselho Superior do Egrégio Colegiado Acadêmico.
Publica as obras “O Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied no Brasil (1815-1817)” e “Antologia da Alimentação no Brasil”.

1978 - Neste ano acontecem inúmeros festejos em homenagem aos seus 80 anos de existência. A programação foi iniciada no dia 9 de dezembro e estende-se até o dia 28, antevéspera do aniversário de Cascudo. Dela constaram conferências, reedição de livros, e lançamento de livros sobre ele (“Câmara Cascudo, um brasileiro feliz”, Diógenes da Cunha Lima). Ao agradecer as homenagens, em discurso na noite do dia 28 de dezembro, Cascudo despede-se da vida intelectual dizendo “a todos não apenas agradeço, mas peço que continuem prestigiando aqueles que, mesmo se vão da lei da morte libertando, tenham obstinação preferencial pelas tarefas provincianas, sejam fiéis à sua vocação e não às intuições vulgares, subam a escada da vida e não o elevador, senão, não tem impressão da elevação, da força e da distância e perdem as perspectivas do itinerário vencido”.

1981 - É lançada a 2a. Edição do livro “História da Cidade do Natal”, editado originalmente em 1947 (33 anos atrás).

1982 - Recebe, na sua residência, no dia 22 de outubro, do Governo da França, representado pelo Cônsul Geral no Recife, Monsieur Guy Klein, a Medalha da Ordem das Artes e das Letras. Nesta ocasião é relançada a obra “Flor de Romances Trágicos”.
No dia do seu aniversário, 30 de dezembro, é distinguido com a Medalha do Mérito Aeronáutico, no Grau de Grão-Mestre, entregue pelo Brigadeiro Murilo Santos na sua residência.

1983 - O Instituto Nacional do Folclore, órgão da FUNARTE (Rio de Janeiro), denomina 1983 o Ano de Câmara Cascudo e institui um concurso nacional de monografias sobre sua obra.
Neste mesmo ano, a 16 de dezembro, são reeditadas, na sua residência, três de suas obras: “História da Alimentação no Brasil”, “Civilização e Cultura” e “Geografia dos Mitos Brasileiros”.

1986 - Numa de suas últimas entrevistas, concedidas a 11 de julho ao jornalista Osair Vasconcelos, do “Diário de Natal”, ele faz um importante balanço da sua vida. Segundo suas palavras: “Compreendi a minha vida e vivo a minha vida. Não vivi a vida dos outros. Estudei o que amei. Pesquisei e discuti sobre assuntos que queria escrever. O comum é aparecer uma novidade e o sujeito largar o que está fazendo e fazer a novidade... O segredo da vida está no entendimento”.

No dia 30 de julho, na Casa de Saúde São Lucas, em Natal, falece Cascudo com 87 anos de idade. Estava internado com um grave problema renal e foi vítima de um ataque cardíaco. Deixa, no dizer do “Diário de Natal”, “uma vaga de gênio na cultura”. Seu corpo é velado na Academia Norte Riograndense de Letras, instituição fundada por ele em 1936. O Governo do Estado decreta luto oficial por três dias. Na manhã do dia 31 seu corpo é colocado num carro do Corpo de Bombeiros, coberto por uma bandeira da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e percorre a cidade em um emotivo cortejo em direção ao cemitério do Alecrim, onde é sepultado no jazigo da família. A cidade, o estado e o país ficam mais pobres sem o grande “contador de histórias”.

Foto: Memória Viva
Luís da Câmara Cascudo - OpenBrasil.org